ela sorria de lado e fazia bico.
a gente trocava os passos, mas não sem medo.
que era pouco perto do quanto
a gente sabia que tinha de tempo.
eu vibrava e ela sorria
sempre de lado, fazendo bico.
devolvia meus passos, mas já sem medo
d'uma nova troca, pois já era fato
que a gente era muito quando era junto.
Sábado, Junho 03, 2006
Janela.
Vento.
Frio.
- É, velho tem dessas de sentir frio. Eu sinto.
- Diferente não poderia ser. É velho.
Trazia um pullover e mais outro e um reserva. Não é só sola de pé que fica mais fina por não se andar mais descalço. Fica a pele fina por um todo - não por não se sentir mais nada, mas por não se sentir mais nada novo - e toma-se gosto por meter sinal da cruz em tudo.
Tudo é saudade. E lembranças são lágrimas. De lágrimas seria também a despedida... se ele ainda tivesse alguma.
Nada. Nenhum abraço, nenhum aceno, nenhum "vai com Deus". Ninguém.
Ainda como na juventude, tomava gosto por desafios. Na cabinícula que simulava um banheiro, traçou em gestos a cruz da cabeça ao peito, num pedido a deus que guiasse, pra que acertasse com a urina o alvo da latrina, seu pênis.
Sabia bem como tomar viagem toda. Em conversas, histórias, vida. Mas não é como se o tempo passasse mais rápido. Quando há qualquer aperto no peito isso nem existe. Sente-se cada segundo e o próximo...e mais todos os outros também. Subtrai-se apenas o tempo do tempo e ele sempre parece interminável...e cada vez maior.
Cá, comigo, faz-se essa mesma angústia em nova roupagem.
E sendo ou não de maior ousadia, ainda é em trajes da mesma angústia que se faz a vida.
E são eles os mais apertados...e não protegem nada do frio.
Tomam o peito, travam a voz e não se sente mais nada. Apenas implora-se calado para que se alcance de uma vez o segundo seguinte.
Ah, sono, mas não sonhos.
E era eu ainda mais velho que o velho sentado ao meu lado.
E não tinha suas histórias, nem sua vida.
Mas muito frio.
E muita...tanta saudade.
Vento.
Frio.
- É, velho tem dessas de sentir frio. Eu sinto.
- Diferente não poderia ser. É velho.
Trazia um pullover e mais outro e um reserva. Não é só sola de pé que fica mais fina por não se andar mais descalço. Fica a pele fina por um todo - não por não se sentir mais nada, mas por não se sentir mais nada novo - e toma-se gosto por meter sinal da cruz em tudo.
Tudo é saudade. E lembranças são lágrimas. De lágrimas seria também a despedida... se ele ainda tivesse alguma.
Nada. Nenhum abraço, nenhum aceno, nenhum "vai com Deus". Ninguém.
Ainda como na juventude, tomava gosto por desafios. Na cabinícula que simulava um banheiro, traçou em gestos a cruz da cabeça ao peito, num pedido a deus que guiasse, pra que acertasse com a urina o alvo da latrina, seu pênis.
Sabia bem como tomar viagem toda. Em conversas, histórias, vida. Mas não é como se o tempo passasse mais rápido. Quando há qualquer aperto no peito isso nem existe. Sente-se cada segundo e o próximo...e mais todos os outros também. Subtrai-se apenas o tempo do tempo e ele sempre parece interminável...e cada vez maior.
Cá, comigo, faz-se essa mesma angústia em nova roupagem.
E sendo ou não de maior ousadia, ainda é em trajes da mesma angústia que se faz a vida.
E são eles os mais apertados...e não protegem nada do frio.
Tomam o peito, travam a voz e não se sente mais nada. Apenas implora-se calado para que se alcance de uma vez o segundo seguinte.
Ah, sono, mas não sonhos.
E era eu ainda mais velho que o velho sentado ao meu lado.
E não tinha suas histórias, nem sua vida.
Mas muito frio.
E muita...tanta saudade.
As horas da noite tomam-se tão rápido em sequência às vezes.
E é raro.
As vontades mostram-se sempre com tanta clareza nos semblantes.
Mas não se perde o receio.
E é bom.
Às vezes dão-se as coisas todas sem nenhum plano, em meio as horas rápidas da noite.
E é raro.
E é tão bom.
Joga a vida sem avisar.
Dão-se os fatos sem se perceber.
E um dia termina bem...
e feliz.
Eu entro pisando leve no quarto
pra não acordar o mundo que já dorme.
Pra dormir junto do mundo...
por cansar do quanto ele já acorda sem mim.
E é raro.
As vontades mostram-se sempre com tanta clareza nos semblantes.
Mas não se perde o receio.
E é bom.
Às vezes dão-se as coisas todas sem nenhum plano, em meio as horas rápidas da noite.
E é raro.
E é tão bom.
Joga a vida sem avisar.
Dão-se os fatos sem se perceber.
E um dia termina bem...
e feliz.
Eu entro pisando leve no quarto
pra não acordar o mundo que já dorme.
Pra dormir junto do mundo...
por cansar do quanto ele já acorda sem mim.
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