Dei com o meu corpo vestido pela blusa do pijama dormido em plena simulação de vestibular.
E no teto, vi o poço pelo fundo.
Sábado, Outubro 29, 2005
Quarta-feira, Outubro 26, 2005
Confundido, por trás, por baixo, com tudo que já teve a relevância de ficar sobre a mesa, que se perca essa vontadezinha noturna de vida.
Dançada a chuva, sempre escorrega-se em qualquer poça para não se esquecer que a chuva não é feita pra ser dançada.
Acho que vou dormir na gaveta.
Dançada a chuva, sempre escorrega-se em qualquer poça para não se esquecer que a chuva não é feita pra ser dançada.
Acho que vou dormir na gaveta.
Domingo, Outubro 09, 2005
Brilhos e curvas, a justiça que me é tão injusta.
Os olhos e o sorriso e o jeito. Toda a harmonia que escorre como leito e que no meu é falta...sonho sádico.
Diante de mim, é todo um conjunto de semelhanças raras, que me rouba as palavras e me resume a gracejos.
É que mesmo com toda a liberdade que o mundo dá no segundo em que pára, o olhar foge do que se quer ver e o que se enquadra é só o conveniente.
Conveniência besta de não se comprometer, de não dar a entender.
Olha, eu esperei o dia inteiro.
Eu sempre espero os dias inteiros, mas dessa vez foi além de pelo minuto seguinte ao minuto seguinte até o último antes de fechar os olhos e adormercer.
Bobagem. Eu não durmo mais. Eu só acordo.
Acordo e abro a janela torcendo pra que o prédio da frente tenha desmoronado, pra que as ruas estejam inundadas, pra que o porteiro apareça voando, batendo os braços, dizendo que cansou daquela vida besta de porteiro e resolveu ser pássaro ou pra que algum garoto, do alto de seu apartamento, tenha tido a coragem - que sempre quis ter, mas nunca tive - de cuspir na calva negra do zelador, que forma com precisão um alvo redondo e brilhante.
Mas tudo o que vejo é uma fila de gente que só espera a sua vez de comprar o frango...
...
...
...
! ! !
Pulo da cama às pressas e a roupa que visto é a que primeiro vem à vista. Saio correndo e me debatendo pelas escadas, garanto meu lugar esbaforido e, esperando de dedos cruzados que o frango não acabe bem na minha vez, reclamo da demora e exijo que venha com bastante farofa e batatas.
Os olhos e o sorriso e o jeito. Toda a harmonia que escorre como leito e que no meu é falta...sonho sádico.
Diante de mim, é todo um conjunto de semelhanças raras, que me rouba as palavras e me resume a gracejos.
É que mesmo com toda a liberdade que o mundo dá no segundo em que pára, o olhar foge do que se quer ver e o que se enquadra é só o conveniente.
Conveniência besta de não se comprometer, de não dar a entender.
Olha, eu esperei o dia inteiro.
Eu sempre espero os dias inteiros, mas dessa vez foi além de pelo minuto seguinte ao minuto seguinte até o último antes de fechar os olhos e adormercer.
Bobagem. Eu não durmo mais. Eu só acordo.
Acordo e abro a janela torcendo pra que o prédio da frente tenha desmoronado, pra que as ruas estejam inundadas, pra que o porteiro apareça voando, batendo os braços, dizendo que cansou daquela vida besta de porteiro e resolveu ser pássaro ou pra que algum garoto, do alto de seu apartamento, tenha tido a coragem - que sempre quis ter, mas nunca tive - de cuspir na calva negra do zelador, que forma com precisão um alvo redondo e brilhante.
Mas tudo o que vejo é uma fila de gente que só espera a sua vez de comprar o frango...
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Pulo da cama às pressas e a roupa que visto é a que primeiro vem à vista. Saio correndo e me debatendo pelas escadas, garanto meu lugar esbaforido e, esperando de dedos cruzados que o frango não acabe bem na minha vez, reclamo da demora e exijo que venha com bastante farofa e batatas.
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