Quarta-feira, Julho 20, 2005

Coma

Fui rei de mim mesmo
Eu sei , não vai mudar

Jaquetas rasgadas, eu não vou conseguir nada.
Não adianta procurar, eu não vou conseguir
Interesse inútil, não vou conseguir
Não tenho, idéias, conseguir
Agarra uma pedra e pula no mar.
E ria de todos nós!
Salva-se no buraco, no precipício.
Vamos, sabe que o vazio coça...
Ele quer só um agrado!
Eu não tenho.

Tudo roda, rápido, e eu não vou conseguir uma caixa boa o suficiente.
Quero voltar e poder dizer: Voltei!
Fui, tempos atrás,
Rei de mim mesmo.
Espero conseguir
Não acho o que tem de mudar, nos seus olhos.
Meus olhos, falsos, obtusos, idiotas.
Olhos que nasceram com um cigarro encostado.
A falta de olhos o excesso de globos oculares...
A falta de alma...
O que há além?O que há?
O que há?
O vício nos fez muito feios...
Já nos esquecemos, fomos esquecidos,
Mas tínhamos passos na nossa frente.
E quero de volta!
Meu cabelo vai grudando nos meus olhos,
Meu nariz se fecha, o ar nos falta
Aproveita a chance. Racha minha cabeça, golpeia com as dores que têm.
Depois a gente passa no Mac.
E fica tudo certo.

E não quero mais tentar , e não adianta mais seguir.
E eu estou sozinho.
E odiei descobrir.
Me mostraram.
E nós escolhemos
E suamos gordura
Suamos excesso
Transpiramos falta de vida.


E, em cima dos anjos, amamos a nossa falta de conseqüência;
Que há lá?Não conta!
Não lembra
Não venha, lembrar
Tenho medo!
Deixar fechar os olhos mais rápido


Dia do salário!Estou salvo

Você não se lembra,
Mas a hora de lembrar chegou.
Tenho algum nome?Tens algum nome?
O frio. É terrivelmente frio. E bonito.
Deixa fritar os olhos na beleza do mundo.
Volte lá . A dor não existe.
E estou cansado, amargamente combalido
A luta se entristece.A veia se abriu , se cansou de abrir, não abre mais
Não há mais drama, não há mais viajem, não há mais mal...
Feche o balanço no fim do mês, faça com que sua esposa diga que teve orgasmos:

E finja que conseguiu qualquer coisas.

E estou cansado.
A dor aquece
O que antes era aquecido pela falta dela
Só há príncipes e princesas, só seres que são bons em tudo que fazer ( veja bem, fazem duas ou três coisas...)Consiga tocar a peça de piano toda! Agora você chegou lá!
Quero sexo de espíritos, não mais masturbação...


Das asas de um pássaro
DO mergulho do corpo na vala
A chuva que cai e nos mantêm acordados
E tento,em vão, ser preso,
E sei que é só o que recebo: leviandade.
Tudo que vêm do cinza , tudo que não vem de nós.
Eu quero, que me deixe, me aperte, me esqueça, me deixe viver de novo,me entorte , faça-me chover, deixe-me cinza, acabe com o horizonte, agora, agora!
Não adianta deixar a velha casa, ela vai cair.
Os biscoitos podres, os gritos sufocados, a queda, as balas, o amor que se foi...
A queda , o vômito, o amor pelos nossos filhos, o mármore que só existe na casa dos outros. O pano rasgado que esconde a ferida.
Agora chega a hora de se lembrar daquilo que dói, dos seus medos, do que esconde de si. Sei que carregas pó suficiente com você.
O tremor,
Só prometa que não para de respirar.
Continue respirando.
Faça sangue correr dentro de si.
Você ainda está aí?
O sol que faltou.
O mergulho no nada que preenche nossas solitárias e inúteis vidas.
Sempre do mesmo modo.
Não adianta ambicionar mais , não vais conseguir
Me salve...
Pra sempre.
E me diga o que há lá.
Agora. Ou não será coisa alguma.
Agora.
Abre o peito e confessa.
E eu termino a indicar este poema :
A uma rosa negra que começa a sangrar...
A um pavão cego que anda por aí
A um cão sem patas.
A todos nós, seres humanos, sem espírito!


Presos em uma jaula de antibióticos....