gostou de estar pendendo suspensórios.
Embora a calça já lhe quisésse sugerir encomodo
entre as bandas brancas da bunda.
Foi que viu os amigos de sempre
um que trazia ao corpo sua jardineira aveludada
E quis chorar quando o abraço rebuscou...
...Densidade,
dos medos, e das lembranças.
ea namorada, aquela,
lá estava;
e aqui está.
num verso de silêncio.
...
Digo apenas da roda, e que fiquei feliz.
que todos sorriam enquanto cantavam,
juntos,
o nosso Passado.
Terça-feira, Junho 28, 2005
Sexta-feira, Junho 24, 2005
dona.
que o senso de humor dele me contagia. chamam-no com nome. na camiseta, aquela marca de whisky: contente desfigura seus bochechões-titía a morder a alça do que trouxe. de sexta deve ir-se para o campo, dormitando a testa no vidro. tem dentes bonitos e arbusto marrom sob o queixo redondo; mordia a alça de novo:
- que está a ler por aí?
- presente de quem muito me ama.
mas está tão frio lá fora, e ora; a madeira esfarela-se e assobia. escuta, pra onde foi o salário? me levou bem a letra, bem a uma que estirava ao meio tenro de 'voar'.
as tortilhas se movem. 'mais cidades, mais cidades.' a boca canta camadas médias emergentes. no dedo aquele algo anti-alérgico. 'beijo, por favor.' aponta para o microfone: 'paga, tanto pouco'. berra pulando sobre o rei-do-café: 'Gosto de fração....
...fração é parte.'
- que está a ler por aí?
- presente de quem muito me ama.
mas está tão frio lá fora, e ora; a madeira esfarela-se e assobia. escuta, pra onde foi o salário? me levou bem a letra, bem a uma que estirava ao meio tenro de 'voar'.
as tortilhas se movem. 'mais cidades, mais cidades.' a boca canta camadas médias emergentes. no dedo aquele algo anti-alérgico. 'beijo, por favor.' aponta para o microfone: 'paga, tanto pouco'. berra pulando sobre o rei-do-café: 'Gosto de fração....
...fração é parte.'
Domingo, Junho 19, 2005
"Terceiro álbum do quinteto de Glasgow traz belíssimas canções, porém melancólicas, com arranjos de cordas e vocais. As faixas "You Don´t Know Jesus", "Take Me Somewhere Nice"...
PORÉM melancólicas?
A submarino não sabe o que faz... Melancolia é POP.
PORÉM melancólicas?
A submarino não sabe o que faz... Melancolia é POP.
Quinta-feira, Junho 16, 2005
Naquele rosto, de certeza a que não se teria bom dia ao sol
Não tanto, mas surpreso com, baita sorriso de fazia um tempão que não recebia um
Comovido, um tanto, um pouco, que já baste essa pela semana toda!
Que consciência, que nada! Duas folhas, árvores, de alta absorção e sei lá mais o quê
Baita dum chute, às favas a organização e suas rimas, se vai tomar café, que vá sentado!
Os sorrisos tolos não bastavam pra se encontrar no corpo
E os pedaços de papéis amontoados eram um cavanhaque.
Não tanto, mas surpreso com, baita sorriso de fazia um tempão que não recebia um
Comovido, um tanto, um pouco, que já baste essa pela semana toda!
Que consciência, que nada! Duas folhas, árvores, de alta absorção e sei lá mais o quê
Baita dum chute, às favas a organização e suas rimas, se vai tomar café, que vá sentado!
Os sorrisos tolos não bastavam pra se encontrar no corpo
E os pedaços de papéis amontoados eram um cavanhaque.
Quarta-feira, Junho 15, 2005
Encontrou-a no ponto da farmácia:
- Que ce vai fazer hoje?
- Acho que vou pra casa brigar com meu irmão mais novo, pedir dinheiro pra minha mãe antes de me trancar no quarto, ler Rimbaud pra inspirar minha rebeldia inútil, e tomar banho de banheira enquanto o mundo se acaba lá fora...por quê?
-Ah! Sei lá! Pensei em te chamar pra fazer alguma coisa, mas seu plano é de longe bem melhor que o meu...não faria sentido! Eu só vou andar por aí...só andar...
E subiu no ônibus vazio,
Deixando ficar algumas de suas muitas interrogações...
- Que ce vai fazer hoje?
- Acho que vou pra casa brigar com meu irmão mais novo, pedir dinheiro pra minha mãe antes de me trancar no quarto, ler Rimbaud pra inspirar minha rebeldia inútil, e tomar banho de banheira enquanto o mundo se acaba lá fora...por quê?
-Ah! Sei lá! Pensei em te chamar pra fazer alguma coisa, mas seu plano é de longe bem melhor que o meu...não faria sentido! Eu só vou andar por aí...só andar...
E subiu no ônibus vazio,
Deixando ficar algumas de suas muitas interrogações...
- Essa comidinha fica bem melhor com esse arroizinho, não fica?
- É.
...
- Do que cê tá rindo?
- Achei que cê ia reclamar...
- ...hum? Do quê?
- Deu ser monossilábico.
- ...me acostumei.
...
(talheres com pratos. latidos ao fundo.)
- É.
...
- Do que cê tá rindo?
- Achei que cê ia reclamar...
- ...hum? Do quê?
- Deu ser monossilábico.
- ...me acostumei.
...
(talheres com pratos. latidos ao fundo.)
Pegou o controle da tevê-a-cabo-digital-por satélite-antena-parabólica-ou-o-caralho-que-fosse e procurou se tinha algum filme bom passando. Num tinha nenhum, nada mesmo. Pegou a porra da tevê e jogou pela janela do seu quinto andar. Mas ficou tão puto por não ter acertado ninguém que resolveu ir até o Antenor-da-banca-de-jornal:
- Oooooh, Antenor-da-banca-de-jornal...diz uma coisa, que acha de deixar essa banca pra mim como herança, preu coçar o dia inteirinho, assim como você, hein? Que acha?
...
- ANTENOR É O CA-RA-LHO! – parecia mesmo que nunca tinha levantado a bunda daquela cadeira e continuou, sem se levantar – BANCA DE JORNAL O MESMO! – o máximo que fazia era gesticular num ritmo que não acompanhava o da sua fala, o tempo todo com o dedo em riste – Isto aqui é uma loja de revistas, jornais, e tudo mais que se vende numa banca de jornal, mas estabelecida na garagem da minha casa, pois então não é uma...e já não me basta ter de desembaraçar esta minha barba branca dos pêlos brancos do peito, todo dia, quando acordo, pra poder enfim levantar a cabeça e... o único Antenor que conheço é o do alambique e... porra, pago uma porrada de contas, e de imposto também, e este país tá é uma merda pra se viver e não me...
- Quer saber, Antenor-da-banca-de-jornal? Quer mesmo, hã!? Enfia essa sua banca nu CU!
- Oooooh, Antenor-da-banca-de-jornal...diz uma coisa, que acha de deixar essa banca pra mim como herança, preu coçar o dia inteirinho, assim como você, hein? Que acha?
...
- ANTENOR É O CA-RA-LHO! – parecia mesmo que nunca tinha levantado a bunda daquela cadeira e continuou, sem se levantar – BANCA DE JORNAL O MESMO! – o máximo que fazia era gesticular num ritmo que não acompanhava o da sua fala, o tempo todo com o dedo em riste – Isto aqui é uma loja de revistas, jornais, e tudo mais que se vende numa banca de jornal, mas estabelecida na garagem da minha casa, pois então não é uma...e já não me basta ter de desembaraçar esta minha barba branca dos pêlos brancos do peito, todo dia, quando acordo, pra poder enfim levantar a cabeça e... o único Antenor que conheço é o do alambique e... porra, pago uma porrada de contas, e de imposto também, e este país tá é uma merda pra se viver e não me...
- Quer saber, Antenor-da-banca-de-jornal? Quer mesmo, hã!? Enfia essa sua banca nu CU!
Terça-feira, Junho 14, 2005
Não o escutaram quando pensou ter gritado pedindo que escutassem qualquer bobagem que alguém falava. Bobagem que ele não queria escutar, tava com preguiça, oras.
Mas quanta irritação! Numa bufada, quis mostrar-se mais irritado do que de fato estava e fingir que queria passar com um trator sobre a cabeça de todos. Mas isso do trator nem chegou a passar por sua cabeça. “Que bobagem!”, foi o que não pensou. O que pensou foi que, informação de segunda mão, desta vez, não teria. “Que droga!”.
Chegando em casa, pegou um lápis. Na verdade, não encontrou um lápis. Pegou uma lapiseira e fez um risco na parede branca, do seu quarto. Na verdade, fez um ponto, porque a ponta quebrou antes de virar risco. Ah, aí sim perdeu a cabeça, sem antes ter compreendido o porquê da intenção do risco. Quer dizer, quase perdeu foi a mão no soco que deu. Foi na parede, mas distraído, deu na parede errada, na de tijolos, pois, sem perceber, já na rua estava, e quis gritar e gritar e gritar! Mas só de pensar em gritar e ser escutado e virem ele gritando, começou a tremer e a voz faltou, travou seca na garganta e foi engolida de volta, pra dentro, pra sei lá onde. Mas tremia muito, de mais! E perguntaram se aquilo tudo era nervosismo, se era normal, se estava bem, se queria um copo d’água e tudo mais que se pergunta, deixando evidente a resposta que se espera. E, claro, ele condisse com o que esperavam e disse o que quiseram escutar, que a tremedeira era normal, todo dia era igual, nenhum médico sabia o porquê e que se fosse pra morrer, que fosse de uma vez, por uma doença desconhecida, que nunca, jamais, alguém conseguira diagnosticar. Mas só escutaram até o “normal” (“que aquilo era normal”) e já mudaram o foco, assim, não que ele não merecesse tanta atenção, só não conseguiam mesmo dispensar essa atenção toda com ele.
E então correu e correu, sem sair, sem fugir do caminho que tinha de percorrer, mesmo porque não era de toda essa ousadia. E não que correr fosse o melhor que soubesse fazer, longe disso, a questão é que, naquela hora, teve certeza de que nada mais poderia fazer. E quando parou, exausto, ofegante, percebeu que já muito tempo fazia que não corria daquele jeito e teve certeza de que correr era tudo o que não devia ter feito. Mas, por precaução, checou as solas dos sapatos, esperando pelo pior, pelo de sempre, mas, em toda sua apatia, quase pulou de alegria, sem sorrir, quando não viu cocô.
Na portaria, avisou o nome. E quando o porteiro disse que naturalmente podia subir, logo antecipou-se dizendo que já sabia o andar e como chegar lá. E pensou ter sido por falta oportunidade o fato que se deu de não ter perguntado pro porteiro se achava que ele não subiria de forma natural. E quando deu de cara com aquele ponto de grafite, na parede branca, caiu em prantos. Foi de uma vez só e foi difícil agüentar tanto choro, ah, aquela gente, pô, aquela gente sabia muito bem a hora errada de aparecer. E ele não sabia a hora errada de aparecer, nem a certa, nem aparecer. Foi encolhendo-se entre as pernas e teve medo, tanto medo. Nem soube de quê foi o medo. Nem sabia se era medo mesmo aquilo que sentia e isso sim deixou ele bastante nervoso. Sem pensar, pegou a lapiseira do chão e quase cravou ela na parede branca, quase arrebentou a parede branca, de tantos furos que nela fez. E não tardou em se arrepender. Estava tão cansado, exausto, ofegante, mas não era por conta da corrida. Na verdade, até tentou, tentou mesmo ter vontade de correr, mas não teve, não conseguiu ter. Só se encolheu mais entre as pernas peludas. E desejou que não fossem peludas. Nem pernas. Claro que como quanto a tudo que mais queria, de nada adiantou desejar. Continuaram pernas. Continuaram peludas. E era absurdo como ainda podia se encolher mais. Mas nem percebeu que o choro já tinha cessado e que, então, só soluçava. Puxou o telefone pelo fio, que, como previsto, e não podia ter sido diferente, foi ao chão. Mas não quebrou. Mas não fez diferença. Pegou o gancho. Colocou o gancho de volta. Teve sono, mas não vontade de dormir, nem de sonhar mais aqueles sonhos de sempre. E passou pela sua cabeça que, se tinha mesmo medo, era medo disso. Mas ainda não teve certeza se era medo mesmo. E os olhos insistiram em fechar. Ele resistiu. Quase tentou resistir mais. Desistiu.
Bom, ele dormiu, de novo.
Mas quanta irritação! Numa bufada, quis mostrar-se mais irritado do que de fato estava e fingir que queria passar com um trator sobre a cabeça de todos. Mas isso do trator nem chegou a passar por sua cabeça. “Que bobagem!”, foi o que não pensou. O que pensou foi que, informação de segunda mão, desta vez, não teria. “Que droga!”.
Chegando em casa, pegou um lápis. Na verdade, não encontrou um lápis. Pegou uma lapiseira e fez um risco na parede branca, do seu quarto. Na verdade, fez um ponto, porque a ponta quebrou antes de virar risco. Ah, aí sim perdeu a cabeça, sem antes ter compreendido o porquê da intenção do risco. Quer dizer, quase perdeu foi a mão no soco que deu. Foi na parede, mas distraído, deu na parede errada, na de tijolos, pois, sem perceber, já na rua estava, e quis gritar e gritar e gritar! Mas só de pensar em gritar e ser escutado e virem ele gritando, começou a tremer e a voz faltou, travou seca na garganta e foi engolida de volta, pra dentro, pra sei lá onde. Mas tremia muito, de mais! E perguntaram se aquilo tudo era nervosismo, se era normal, se estava bem, se queria um copo d’água e tudo mais que se pergunta, deixando evidente a resposta que se espera. E, claro, ele condisse com o que esperavam e disse o que quiseram escutar, que a tremedeira era normal, todo dia era igual, nenhum médico sabia o porquê e que se fosse pra morrer, que fosse de uma vez, por uma doença desconhecida, que nunca, jamais, alguém conseguira diagnosticar. Mas só escutaram até o “normal” (“que aquilo era normal”) e já mudaram o foco, assim, não que ele não merecesse tanta atenção, só não conseguiam mesmo dispensar essa atenção toda com ele.
E então correu e correu, sem sair, sem fugir do caminho que tinha de percorrer, mesmo porque não era de toda essa ousadia. E não que correr fosse o melhor que soubesse fazer, longe disso, a questão é que, naquela hora, teve certeza de que nada mais poderia fazer. E quando parou, exausto, ofegante, percebeu que já muito tempo fazia que não corria daquele jeito e teve certeza de que correr era tudo o que não devia ter feito. Mas, por precaução, checou as solas dos sapatos, esperando pelo pior, pelo de sempre, mas, em toda sua apatia, quase pulou de alegria, sem sorrir, quando não viu cocô.
Na portaria, avisou o nome. E quando o porteiro disse que naturalmente podia subir, logo antecipou-se dizendo que já sabia o andar e como chegar lá. E pensou ter sido por falta oportunidade o fato que se deu de não ter perguntado pro porteiro se achava que ele não subiria de forma natural. E quando deu de cara com aquele ponto de grafite, na parede branca, caiu em prantos. Foi de uma vez só e foi difícil agüentar tanto choro, ah, aquela gente, pô, aquela gente sabia muito bem a hora errada de aparecer. E ele não sabia a hora errada de aparecer, nem a certa, nem aparecer. Foi encolhendo-se entre as pernas e teve medo, tanto medo. Nem soube de quê foi o medo. Nem sabia se era medo mesmo aquilo que sentia e isso sim deixou ele bastante nervoso. Sem pensar, pegou a lapiseira do chão e quase cravou ela na parede branca, quase arrebentou a parede branca, de tantos furos que nela fez. E não tardou em se arrepender. Estava tão cansado, exausto, ofegante, mas não era por conta da corrida. Na verdade, até tentou, tentou mesmo ter vontade de correr, mas não teve, não conseguiu ter. Só se encolheu mais entre as pernas peludas. E desejou que não fossem peludas. Nem pernas. Claro que como quanto a tudo que mais queria, de nada adiantou desejar. Continuaram pernas. Continuaram peludas. E era absurdo como ainda podia se encolher mais. Mas nem percebeu que o choro já tinha cessado e que, então, só soluçava. Puxou o telefone pelo fio, que, como previsto, e não podia ter sido diferente, foi ao chão. Mas não quebrou. Mas não fez diferença. Pegou o gancho. Colocou o gancho de volta. Teve sono, mas não vontade de dormir, nem de sonhar mais aqueles sonhos de sempre. E passou pela sua cabeça que, se tinha mesmo medo, era medo disso. Mas ainda não teve certeza se era medo mesmo. E os olhos insistiram em fechar. Ele resistiu. Quase tentou resistir mais. Desistiu.
Bom, ele dormiu, de novo.
Domingo, Junho 12, 2005
Até em dia de sol insistente e exagerado e de céu no seu maior e mais intenso azul, ele quase perdia-se à vista. Não como no anoitecer, crepúsculo, não parecia desintegrar-se, nem sumia, não incorporava-se à paisagem, não tornava-se roupa andante, como o de outra qualquer noite. Mas desprovia-se de traços e era, então, apenas uma mancha escura e preta, breu móvel, um pedaço de carvão que anda, bebe, tropeça, senta, sente.
Está bem, onde caralhos foram parar o mínimo esforço, o mínimo espaço ocupado, o mínimo movimento, a mínima expressão de Domingo ensolarado ou não?
Não sei quem foi que abriu esta janela, se só foi pra chocar tudo que há de tentativa por aqui com o que há de prática por lá. Nem sei como fui parar à rua, acontecendo bem no dia em que todos os outros menos acontecem. Das janelas e portas que se abriram, não saberia gastar uma mão de palavras e, em meio a assobios e uma leve forma de andar, tomei-me de grande susto, mal me reconheci, procurei meu reflexo no primeiro vidro de carro parado, envergonhando-me com o primeiro filho-da-puta, oportuno, cabeludo, de jeito moleque, que não hesitou em aparecer e debochar da minha vaidade.
À sombra da primeira árvore, não poderia sentar-me, pertences largados empenharam-se em impedir. Logo, esses mesmos pertences não hesitariam, e êxito teriam em acabar com qualquer chance de paz que se faria possível no dia.
Filhos, ele tinha, tem, mal sabe, lembra, tem, quem se importa, não faz diferença, frutos do seu pênis, usou - pra tirá-los do caminhos, os obstáculos - o lenço de papel que agora lhe faltava para limpar as narinas brutas e de grande abertura, que se perdiam e se afogavam em catarro.
Esposa. Sabe, 41 anos, fica difícil ter esposa quando a barba - crespa, falhada e por fazer, que, por quase da mesma cor do rosto escuro, só se enxerga a uma certa proximidade - já evidencia os primeiros fios brancos. Ah, elas aparecem, vidas prometem-se e entregam-se, mas quando se vão, não tem essa de levarem pedaço, não. Pô, já quase não se mantém de pé sem a falta de pedaço algum.
Pra dormir, dá-se um jeito, cai-se na frente da primeira mansão. Invade-se alguma abandonada, se tiver banheira dupla é uma beleza! Em qualquer lugar, arranja-se, tem-se contatos.
Os tais cinzeiros espelhados (assim como ele mesmo, que os fazia) não se mostravam e eram tão fantásticos na sua boca, nas suas palavras, mas, das pessoas, em geral, não recebiam o devido valor, nem mesmo o rigorosamente gasto na produção.
Numa piscina de aguardente, mergulha-se numa vida que, em filme de trás pra frente, não existem os com quem falou dias ou meses atrás. Ontem, anteontem, há meses, anos.
Dos meses, sabe-se que foram quase seis, os últimos quase seis, os que agora brilham-me os olhos, numa empolgação besta de dar o parecer sobre o caso de um qualquer, o caso de um “sabe, às vezes, a gente só quer um pouquinho mais do que tem”. Não menos qualquer que eu. À conversa, pouco motivo a mais teve do que o de querer, de considerar-se por no mínimo merecer, como sua obrigação, o aperto no peito, sentir mais do que não costuma sentir, nesses dias que se esquecem, lágrimas que mal saem dos olhos - esbugalhados, de um pulsante avermelhado, culpados e esgotados - e já escasseiam-se. E dizia, e repetia, mesmo quando não por palavras, a canção dos dias de sempre, Domingos e não-Domingos, aqueles aos quais, ele só queria dar uma forma, a forma que escolhesse, que nem quase saía do papel, dos planos de noites que se viram ansiosas, a forma, o jeito que, com seus lados medidos, trancritos e planejados, à vida sempre não conseguia dar.
E mal se percebia já de novo errando, quando, na sua agenda em branco, muita ocupação fingia, em meio a goles de cachaça, que da garganta já era suor, sua transpiração, adiando ao máximo o que o afligia, o receio, o medo das obrigações. E, tendo a suspeita de ser um “ou” em vez de um “e”, sendo, então, quinta ou segunda, ficava com a quinta.
Está bem, onde caralhos foram parar o mínimo esforço, o mínimo espaço ocupado, o mínimo movimento, a mínima expressão de Domingo ensolarado ou não?
Não sei quem foi que abriu esta janela, se só foi pra chocar tudo que há de tentativa por aqui com o que há de prática por lá. Nem sei como fui parar à rua, acontecendo bem no dia em que todos os outros menos acontecem. Das janelas e portas que se abriram, não saberia gastar uma mão de palavras e, em meio a assobios e uma leve forma de andar, tomei-me de grande susto, mal me reconheci, procurei meu reflexo no primeiro vidro de carro parado, envergonhando-me com o primeiro filho-da-puta, oportuno, cabeludo, de jeito moleque, que não hesitou em aparecer e debochar da minha vaidade.
À sombra da primeira árvore, não poderia sentar-me, pertences largados empenharam-se em impedir. Logo, esses mesmos pertences não hesitariam, e êxito teriam em acabar com qualquer chance de paz que se faria possível no dia.
Filhos, ele tinha, tem, mal sabe, lembra, tem, quem se importa, não faz diferença, frutos do seu pênis, usou - pra tirá-los do caminhos, os obstáculos - o lenço de papel que agora lhe faltava para limpar as narinas brutas e de grande abertura, que se perdiam e se afogavam em catarro.
Esposa. Sabe, 41 anos, fica difícil ter esposa quando a barba - crespa, falhada e por fazer, que, por quase da mesma cor do rosto escuro, só se enxerga a uma certa proximidade - já evidencia os primeiros fios brancos. Ah, elas aparecem, vidas prometem-se e entregam-se, mas quando se vão, não tem essa de levarem pedaço, não. Pô, já quase não se mantém de pé sem a falta de pedaço algum.
Pra dormir, dá-se um jeito, cai-se na frente da primeira mansão. Invade-se alguma abandonada, se tiver banheira dupla é uma beleza! Em qualquer lugar, arranja-se, tem-se contatos.
Os tais cinzeiros espelhados (assim como ele mesmo, que os fazia) não se mostravam e eram tão fantásticos na sua boca, nas suas palavras, mas, das pessoas, em geral, não recebiam o devido valor, nem mesmo o rigorosamente gasto na produção.
Numa piscina de aguardente, mergulha-se numa vida que, em filme de trás pra frente, não existem os com quem falou dias ou meses atrás. Ontem, anteontem, há meses, anos.
Dos meses, sabe-se que foram quase seis, os últimos quase seis, os que agora brilham-me os olhos, numa empolgação besta de dar o parecer sobre o caso de um qualquer, o caso de um “sabe, às vezes, a gente só quer um pouquinho mais do que tem”. Não menos qualquer que eu. À conversa, pouco motivo a mais teve do que o de querer, de considerar-se por no mínimo merecer, como sua obrigação, o aperto no peito, sentir mais do que não costuma sentir, nesses dias que se esquecem, lágrimas que mal saem dos olhos - esbugalhados, de um pulsante avermelhado, culpados e esgotados - e já escasseiam-se. E dizia, e repetia, mesmo quando não por palavras, a canção dos dias de sempre, Domingos e não-Domingos, aqueles aos quais, ele só queria dar uma forma, a forma que escolhesse, que nem quase saía do papel, dos planos de noites que se viram ansiosas, a forma, o jeito que, com seus lados medidos, trancritos e planejados, à vida sempre não conseguia dar.
E mal se percebia já de novo errando, quando, na sua agenda em branco, muita ocupação fingia, em meio a goles de cachaça, que da garganta já era suor, sua transpiração, adiando ao máximo o que o afligia, o receio, o medo das obrigações. E, tendo a suspeita de ser um “ou” em vez de um “e”, sendo, então, quinta ou segunda, ficava com a quinta.
Quinta-feira, Junho 09, 2005
eu? sério? DUVÍDO.
"Não é como se você se importasse mesmo, sinceramente." Mas claro que é, imagine, ver aquela mulher com um rombo marrom no meio dos dentes da frente, bandana com a bandeira do brasil, perguntando se tinha alguma moeda sobrando. "É, o chato é que se sentiu invadido quando ela te abordou, você nunca gostou de gente! Por que essa repentina empatia por todo mundo que o mundo detesta, gente que fede?".. Precisa responder?...
"Não é como se você se importasse mesmo, sinceramente." Mas claro que é, imagine, ver aquela mulher com um rombo marrom no meio dos dentes da frente, bandana com a bandeira do brasil, perguntando se tinha alguma moeda sobrando. "É, o chato é que se sentiu invadido quando ela te abordou, você nunca gostou de gente! Por que essa repentina empatia por todo mundo que o mundo detesta, gente que fede?".. Precisa responder?...
Terça-feira, Junho 07, 2005
Sonhos de voragem.
E de repente,
a cortina caiu
o fogo apagou
a tarde acabou
a fumaça se foi
os nós desataram
a terra esfriou
o grito calou
o planeta gemeu
o sol já se pôs
a lua escondeu
o rio já secou
as folhas caíram
Hamlet já está morto...
não há mais verdade
não há mais lirismo
só me resta piedade
só me resta cinismo
Desejas verdade,consigo tristeza
Desejas pureza,consigo beleza
Espero eternidades...
Consigo minutos
[de amenidades estúpidas e sem sentido.
Como se fosse mais um passageiro no seu elevador.
Serias mais livre?
serias mais bela?
quisera sincero,
poder te contar
contar isso ou qualquer coisa.
Não posso: nem ser sincero, nem posso contar.
Meu bem,
Que faço eu dos milhares de olhos a cegá-la?
Que peço de ti, da vida, ou de qualquer um?
Que me ofereces em troca?
Entregas tua pena?
tua vã sinceridade [ vã! espalha-a aos sete ventos e espera que seja especial...
Entregas vossa piedade?
pobrezinho, ele, tão frágil... [frágil? Apiedado?Digno da SUA piedade? da piedade de mais alguém?
Acreditas ter bases sólidas.
Aproveita então.
Usa-as
entorte a mim
entorta ao mundo!
Macbeth faleceu.
Não há mais deuses.
Não há mais Cruz.
Só resta espada.
Só resta fado.Permaneço.
Só resta festa.
Só resta esta.
Só resta fada. Será?
Estafado permaneço.
Cinza, cinza cinza!
Parece tudo tão simples.
Quem não quer amor, afinal?
A quem interessa ser sofredor
A ti certamente que não.
A mim { segundo, terceiro,quarto de muitos! de muitos..} talvez
E vais chorar agora??
não faças. não mereço.
Tu sabes.Concordas. Pior!
MUITO MUITO MUITO pior...
Afirmas.
Preocupa-te:
"que será de mim com todas as lágrimas gastas à toa."
sabe o que sugiro então?
procura outro gênio.
outro sonho
outro moço.
outra verdade
Alguém mais nobre
Alguém esforçado
Alguém menos pobre
[de espírito, haja visto que o ouro, este não lhe importa,apesar de gostares...
Alguém melhor
Concorde contigo
Acorde ao teu lado
Componha lindos acordes:
para a sinfonia beneficente que se tornou tua vida.
Ora, mais um, menos um...
que diferença faz??
[fez, ou ainda, fará???
O oceano está cheio de peixes,
eles sempre tão gentis
tão alegres, tão mais normais
tão sinceros (como não consigo ser....)
Vai, coragem!
Não vais fugir agora, não és de fugir.
Aproveita. Larga este peixe na areia e procura outro.
Talvez azul?
Verde seria melhor?
Otelo, pobre, já é velho e fraco, sombra viva do que foi o orgulhoso general...
Procuras verdade?
Que verdade queres tanto encontrar ?
Sei.
Queres uma que te diga que estás certa.
Que te digas que é tudo diferente
Que estava certa e não errada
Errado estava todo o resto da humanidade:
Ora,
ou alienada pelo brilho gorduroso do ouro
ou apenas medíocre porque não teve oportunidades na vida.
[os últimos, como são lindo-Deus!- como são lindos. Porque não nasci oprimido para poder ser belo...
Admirável mundo novo no qual encontras sua força.
Novo? Essa é uma sombra antiga.Muito católica,afinal.
Admirável? Aí! como ouso calar a respeito?
Não passa de um sonho de uma noite quente.
Repassa, então, a lição que eu já devia ter apreendido:
Serei bom.
Tomarei meio banho por dia, mas com muito asseio.
Respeitarei a todos os outros.Especialmente os oprimidos.
[mais até do que a mim...
Cuidarei do meu lixo
Serei completamente/amavelmente tributável
Perdoarei todas as agressões ignóbeis que vou sofrer
Trabalharei de graça.
Acertados assim?
Perdoado assim?
Redimido assim?
Escolhido assim?
Amado assim?
Espero então-de ti-um amor sem fim?
Sem fim.
Fim de semana,talvez?
Fim de festa?
Fim da adolescência?( qual? "tens sete anos...")
Fim da infância?
Como poder respirar o ar das montanhas?
tão puro,tão bom.
E eu que sou vil. Maquiavélico.
Como ouso, tentar, sentir o ar das montanhas que é teu hálito?
Baixo,eu,asqueroso,grudento,enfim:
um verdadeiro estorvo por entre todos os príncipes e princesas que te fazem companhia.
Como aceitar àqueles que jamais se comportam,
jamais fingem felicidade,jamais pensam nos sentimentos de outrem?
Queimá-los hemos.
COMO OUSAM PROFANAR O REINO?
nós tão vis.
vocês tão belos.
Nossas vidas são mesquinhas
Vossas vidas tem ardores
Nossas vidas são sozinhas
Vossas vidas mais amores...
Vivem em reinos etéreos: estão sempre jovens e sempre alegres.
Podem ter vinte,quarenta e cinco, oitenta anos: sempre tem a leveza de existir de quando tínhamos doze anos...
E nós, nascemos velhos, não temos charme, não temos moral,não temos memória,não temos palavras, mas corrupção, isso , ahh.......... temos de sobra!
Ainda bem que vocês vão salvar o mundo para nós.
Eis que durante essa manhã Romeu estava morto.
Ele experimenta uma insuperável leveza, de estar morto:
livre.
lírico.
Desculpe-me.
E caio de joelhos.
E tarde os sonhos não mais importam.
a cortina caiu
o fogo apagou
a tarde acabou
a fumaça se foi
os nós desataram
a terra esfriou
o grito calou
o planeta gemeu
o sol já se pôs
a lua escondeu
o rio já secou
as folhas caíram
Hamlet já está morto...
não há mais verdade
não há mais lirismo
só me resta piedade
só me resta cinismo
Desejas verdade,consigo tristeza
Desejas pureza,consigo beleza
Espero eternidades...
Consigo minutos
[de amenidades estúpidas e sem sentido.
Como se fosse mais um passageiro no seu elevador.
Serias mais livre?
serias mais bela?
quisera sincero,
poder te contar
contar isso ou qualquer coisa.
Não posso: nem ser sincero, nem posso contar.
Meu bem,
Que faço eu dos milhares de olhos a cegá-la?
Que peço de ti, da vida, ou de qualquer um?
Que me ofereces em troca?
Entregas tua pena?
tua vã sinceridade [ vã! espalha-a aos sete ventos e espera que seja especial...
Entregas vossa piedade?
pobrezinho, ele, tão frágil... [frágil? Apiedado?Digno da SUA piedade? da piedade de mais alguém?
Acreditas ter bases sólidas.
Aproveita então.
Usa-as
entorte a mim
entorta ao mundo!
Macbeth faleceu.
Não há mais deuses.
Não há mais Cruz.
Só resta espada.
Só resta fado.Permaneço.
Só resta festa.
Só resta esta.
Só resta fada. Será?
Estafado permaneço.
Cinza, cinza cinza!
Parece tudo tão simples.
Quem não quer amor, afinal?
A quem interessa ser sofredor
A ti certamente que não.
A mim { segundo, terceiro,quarto de muitos! de muitos..} talvez
E vais chorar agora??
não faças. não mereço.
Tu sabes.Concordas. Pior!
MUITO MUITO MUITO pior...
Afirmas.
Preocupa-te:
"que será de mim com todas as lágrimas gastas à toa."
sabe o que sugiro então?
procura outro gênio.
outro sonho
outro moço.
outra verdade
Alguém mais nobre
Alguém esforçado
Alguém menos pobre
[de espírito, haja visto que o ouro, este não lhe importa,apesar de gostares...
Alguém melhor
Concorde contigo
Acorde ao teu lado
Componha lindos acordes:
para a sinfonia beneficente que se tornou tua vida.
Ora, mais um, menos um...
que diferença faz??
[fez, ou ainda, fará???
O oceano está cheio de peixes,
eles sempre tão gentis
tão alegres, tão mais normais
tão sinceros (como não consigo ser....)
Vai, coragem!
Não vais fugir agora, não és de fugir.
Aproveita. Larga este peixe na areia e procura outro.
Talvez azul?
Verde seria melhor?
Otelo, pobre, já é velho e fraco, sombra viva do que foi o orgulhoso general...
Procuras verdade?
Que verdade queres tanto encontrar ?
Sei.
Queres uma que te diga que estás certa.
Que te digas que é tudo diferente
Que estava certa e não errada
Errado estava todo o resto da humanidade:
Ora,
ou alienada pelo brilho gorduroso do ouro
ou apenas medíocre porque não teve oportunidades na vida.
[os últimos, como são lindo-Deus!- como são lindos. Porque não nasci oprimido para poder ser belo...
Admirável mundo novo no qual encontras sua força.
Novo? Essa é uma sombra antiga.Muito católica,afinal.
Admirável? Aí! como ouso calar a respeito?
Não passa de um sonho de uma noite quente.
Repassa, então, a lição que eu já devia ter apreendido:
Serei bom.
Tomarei meio banho por dia, mas com muito asseio.
Respeitarei a todos os outros.Especialmente os oprimidos.
[mais até do que a mim...
Cuidarei do meu lixo
Serei completamente/amavelmente tributável
Perdoarei todas as agressões ignóbeis que vou sofrer
Trabalharei de graça.
Acertados assim?
Perdoado assim?
Redimido assim?
Escolhido assim?
Amado assim?
Espero então-de ti-um amor sem fim?
Sem fim.
Fim de semana,talvez?
Fim de festa?
Fim da adolescência?( qual? "tens sete anos...")
Fim da infância?
Como poder respirar o ar das montanhas?
tão puro,tão bom.
E eu que sou vil. Maquiavélico.
Como ouso, tentar, sentir o ar das montanhas que é teu hálito?
Baixo,eu,asqueroso,grudento,enfim:
um verdadeiro estorvo por entre todos os príncipes e princesas que te fazem companhia.
Como aceitar àqueles que jamais se comportam,
jamais fingem felicidade,jamais pensam nos sentimentos de outrem?
Queimá-los hemos.
COMO OUSAM PROFANAR O REINO?
nós tão vis.
vocês tão belos.
Nossas vidas são mesquinhas
Vossas vidas tem ardores
Nossas vidas são sozinhas
Vossas vidas mais amores...
Vivem em reinos etéreos: estão sempre jovens e sempre alegres.
Podem ter vinte,quarenta e cinco, oitenta anos: sempre tem a leveza de existir de quando tínhamos doze anos...
E nós, nascemos velhos, não temos charme, não temos moral,não temos memória,não temos palavras, mas corrupção, isso , ahh.......... temos de sobra!
Ainda bem que vocês vão salvar o mundo para nós.
Eis que durante essa manhã Romeu estava morto.
Ele experimenta uma insuperável leveza, de estar morto:
livre.
lírico.
Desculpe-me.
E caio de joelhos.
E tarde os sonhos não mais importam.
Domingo, Junho 05, 2005
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