Terça-feira, Junho 29, 2004
O que tanto traz nessa mochila?
Abre ela pra mim ou não abre porque posso atravessar a rua correndo e gritando tudo o que tem dentro dela. Que venham todos meus inimigos pois rolarei com eles pela praça pôr-do-sol passando por cima dos piqueniques que acontecem por lá. Aquele é um bom lugar pra uma briga, dá um belo ringue, mas nem sei se ainda existem pessoas fazendo piqueniques entre as rodinhas da fumaça que ficam sob as árvores.
Mas que diferença faz tudo isso pra você se sua mochila estiver escancarada para todos?
A minha tá ali, pode abrir e subir no ponto mais alto da cidade e atacar ela lá de cima ou, então, salta sobre a arquibancada e tomba de nariz.
Abre ela pra mim ou não abre porque posso atravessar a rua correndo e gritando tudo o que tem dentro dela. Que venham todos meus inimigos pois rolarei com eles pela praça pôr-do-sol passando por cima dos piqueniques que acontecem por lá. Aquele é um bom lugar pra uma briga, dá um belo ringue, mas nem sei se ainda existem pessoas fazendo piqueniques entre as rodinhas da fumaça que ficam sob as árvores.
Mas que diferença faz tudo isso pra você se sua mochila estiver escancarada para todos?
A minha tá ali, pode abrir e subir no ponto mais alto da cidade e atacar ela lá de cima ou, então, salta sobre a arquibancada e tomba de nariz.
Segunda-feira, Junho 28, 2004
A minha porta é a da esquerda, marrom escura, com um oito e um três dourados sob a vigia redondinha centrada dois terços de baixo pra cima. A maçaneta é redonda, e realmente escorrega, e vira e mexe alguém reclama que bateu o dedo na cabeça do prego de cima. Se for o caso, beija onde bateu, que não há de ser grande coisa, no máximo fica vermelhinho, mas é tranquilo. Depois me avisa que eu beijo em cima do seu beijo e você beija em cima do beijo que eu dei em cima do seu e a gente enrosca os pés cobertos de meias e finge que as cortinas estão inteiras. A minha porta, se na hora der qualquer branco e você bater a mão na testa por vacilar entre esquerda e direita, não é a que tem maçaneta de celeiro, e melhor, é a de vigia redondinha centrada dois terços de baixo pra cima mesmo. Se você tiver vacilado, sério, me conta pra eu ter um motivo pra te tirar um sarro, você fazer que está com raiva, pra eu poder beijar seu pescoço e notar que inclina a cabeça e fecha os olhinhos quando gosta. Se me foge o pescoço, eu beijo o ombro e lembro de quando fiz uma baita careta, que você estava salgada, que tinha acabado de sair do mar. Daí você levantou e fez riviera sambar numa caixinha de fósforos quando brincou de nuvem e cobriu o rosto do sol que me brincava de te iluminar diferente. Eu sei que quando achar a porta, vai procurar o botão da luz e acabar tocando a campainha. Não liga não, que atrás da minha porta eu finjo que não ouvi, você finge que acredita que eu não ouvi, e você entra como se eu não soubesse que já estivesse alí ou como se fosse surpresa. E eu fico surpreso até de verdade, que volta e meia você brinca de nuvem e faz formatos inéditos ou duma andorinha no céu, dum vagão de trêm na marginal... mas é raro você estar alí de carne, osso, pétalas e alecrim. E eu te pergunto se achou a porta, você fica contente por eu ter te dado motivo pra me tirar um sarro, eu fazer que estou com raiva, e você vir se trazer mais pra perto de mim pra gente se sentir saudades. Eu sei que o apartamento é pequeno, e você sabe que eu finjo que não ligo pra essas coisas, daí eu disparo a dizer que em muito breve vou ter um cantinho só meu, para onde vou levar aquele aparelho de som velho e empoeirado e no cantinho, a gente fica velho e empoeirado e se esquece de ligar a televisão na hora do jornal nacional, e tal. Chuto pra baixo do sofá qualquer evidencia do quanto a minha casa é doida, e você transcorre o olhar na varanda, onde te rio que toda hora vêm pombinhas, e meu cachorro as persegue como se pudesse voar. Você nota mas não comenta, que larguei as coisas do colégio alí no chão mesmo já faz certa semana e nem pra pensar no vestibular. E fico meio assim, mas te gargalho de lembrar quando me fazia prometer que ia dar uma olhadinha na matéria antes de uma prova. E ouvia um clic, o telefone ficava mudo e daí você vinha se desacreditando por ter puxado o fio da parede pela milionésima vez.
Dando motivo pra te tirar um sarro, te ver fazer que está com raiva, e te descrever pelo telefone num carinho o quanto te desenho no espelho embaçado do banheiro, quando saio do chuveiro e estou todo tremendo de frio. Meu nariz fica gelado, e lembro que estou em dias de escolher a minha camiseta mais bonita, que é pra te levar até o ponto de ônibus da teodoro sampaio pela manhã. Da vida e de mim, prometo sempre te dar motivos pra me tirar um sarro pra gente se sentir saudades, esperar você passar pela catraca do cobrador, e atravessar a rua pensando no que vou comer na hora do almoço. Mas nem três faróis depois, prometo que de você lembro das coisas pequenas e que se escrevo textos, não os escrevo mais pensando em publicações em livros ou até em jornais de colégio, ou até em outras meninas ou até em admiraçõezinhas sob a minha capacidade de brindar com meia duzia de palavras repetidas: escrevo pra que você leia e então jogue no lixo. Escrevo pra que leia e seu coração sussurre que a tinta da caneta sabe muito pouco do lingua dos olhos, pra eu dizer que só agora estou pronto para admitir que concordo com você.Da lingua dos olhos, do beijo, e das risadas que falam de bobagens de que nunca se fala num texto de amor. Que falam de tropeços em escadas, de sonhos sem nexo onde a gente está pelado no meio de uma orquestra sinfônica, daquele cara que estava cheirando mal no ônibus e mesmo assim mantinha o braço erguido e balançando, de música sertaneja onde parece que todo mundo está sempre morrendo de chifres ou belos pontapés na bunda, afinal dizem de risos até da morte e do fim. Nesses risos, ignorar por uma ou duas tardes, esse mundo todo se machucando, comprando e vendendo ações, revoluções, esse mundo que se leva tão a sério, que anda tão direito; parar num orelhão e te ligar, te chamar pra gente brincar de imitar as pessoas fazendo movimentos exagerados, depois sair correndo das bravuras e tontices do povo heróico. Nesses risos, por duas ou três tardes, esquecer que daqui pra frente é cada vez menos tempo pra rolar no carpete, é cada vez mais cadeira preta com rodinhas, relatório, cheque, salário, décimo terceiro, entrada e parcelas de apartamento; pra gente derrubar a caixa de lego colorido no chão, montar uma casinha pra gente morar, e depois deitar de costas um olhando pra cara do outro. Os olhos castanhos e os olhos verdes um tanto quanto azuis ou o contrário. O querer que durou meses e dura ainda ao medo de morar embaixo da ponte, de não ter dinheiro para comprar um peru para a ceia de natal em família, de não escolher o curso certo para a faculdade, de perder a sinceridade, de se perder por alguém....o medo desse próprio querer e do fato dele durar meses. O medo da morte, o medo da vida, o medo de falar e de perder a fala. O medo que um tem do outro.
E o medo de ver que se deixar, a gente se beija e se consome e se respira.
O medo de ver que a gente se espera.
Dando motivo pra te tirar um sarro, te ver fazer que está com raiva, e te descrever pelo telefone num carinho o quanto te desenho no espelho embaçado do banheiro, quando saio do chuveiro e estou todo tremendo de frio. Meu nariz fica gelado, e lembro que estou em dias de escolher a minha camiseta mais bonita, que é pra te levar até o ponto de ônibus da teodoro sampaio pela manhã. Da vida e de mim, prometo sempre te dar motivos pra me tirar um sarro pra gente se sentir saudades, esperar você passar pela catraca do cobrador, e atravessar a rua pensando no que vou comer na hora do almoço. Mas nem três faróis depois, prometo que de você lembro das coisas pequenas e que se escrevo textos, não os escrevo mais pensando em publicações em livros ou até em jornais de colégio, ou até em outras meninas ou até em admiraçõezinhas sob a minha capacidade de brindar com meia duzia de palavras repetidas: escrevo pra que você leia e então jogue no lixo. Escrevo pra que leia e seu coração sussurre que a tinta da caneta sabe muito pouco do lingua dos olhos, pra eu dizer que só agora estou pronto para admitir que concordo com você.Da lingua dos olhos, do beijo, e das risadas que falam de bobagens de que nunca se fala num texto de amor. Que falam de tropeços em escadas, de sonhos sem nexo onde a gente está pelado no meio de uma orquestra sinfônica, daquele cara que estava cheirando mal no ônibus e mesmo assim mantinha o braço erguido e balançando, de música sertaneja onde parece que todo mundo está sempre morrendo de chifres ou belos pontapés na bunda, afinal dizem de risos até da morte e do fim. Nesses risos, ignorar por uma ou duas tardes, esse mundo todo se machucando, comprando e vendendo ações, revoluções, esse mundo que se leva tão a sério, que anda tão direito; parar num orelhão e te ligar, te chamar pra gente brincar de imitar as pessoas fazendo movimentos exagerados, depois sair correndo das bravuras e tontices do povo heróico. Nesses risos, por duas ou três tardes, esquecer que daqui pra frente é cada vez menos tempo pra rolar no carpete, é cada vez mais cadeira preta com rodinhas, relatório, cheque, salário, décimo terceiro, entrada e parcelas de apartamento; pra gente derrubar a caixa de lego colorido no chão, montar uma casinha pra gente morar, e depois deitar de costas um olhando pra cara do outro. Os olhos castanhos e os olhos verdes um tanto quanto azuis ou o contrário. O querer que durou meses e dura ainda ao medo de morar embaixo da ponte, de não ter dinheiro para comprar um peru para a ceia de natal em família, de não escolher o curso certo para a faculdade, de perder a sinceridade, de se perder por alguém....o medo desse próprio querer e do fato dele durar meses. O medo da morte, o medo da vida, o medo de falar e de perder a fala. O medo que um tem do outro.
E o medo de ver que se deixar, a gente se beija e se consome e se respira.
O medo de ver que a gente se espera.
Domingo, Junho 27, 2004
Domingo, Junho 20, 2004
Cedinho de cedo mesmo não de atraso, confirmo que embora informação nova costume chegar pra bem, as vezes vem e desconcerta e desconserta. O pessoal apoia os violinos nos ombros, deita os violoncelos no colo e espera. Qual a próxima canção? Não existe São Paulo... E a platéia dorme, por que sempre dorme a platéia quando a gente assume a casa. Pra isso mesmo as poltronas são equipadas com almofadas muito confortáveis, e na entrada cada um recebe um cobertor (me recuso a falar edredon)e um chá quente com limão. Mas embora 'teja lá escrito o nome da canção, Não existe São Paulo... eu que teoricamente regeria, ou puxaria (mais apropriado)a orquestra toda estou meio desconsertado e desconcertado como eu já disse, por causa das informações novas. Devia estar contente, mas estava e estou e estarei com medo, e com o violão no colo brincava de examinar a minha sombra, me perguntando que tipo de moleque eu era. Era do tipo que fugia por que tinha medo ou do tipo que fugia por que tinha preguiça? Embora não seja hoje como nunca fui e nunca serei grande fã do Mario de Andrade, me pergunto se sou do tipo que mija na rede da mãe pra não ter de levantar de noite, ou se sou do tipo que simplesmente prende. (hahá! achava o que? que a outra opção era o que levantava pra ir ao matinho? se liga..)
Enfim, já tinha esquecido o palco as pessoas dormindo e até o meu violão, pra ficar me mexendo na cadeira me divertindo com a sombra. Foi quando ouvi um ronco por detrás de mim e ao me virar, levei um susto ao ver toda a orquestra dormindo. O homem do trombone babando, o cara do bumbo de bocarra aberta, as mulheres de longo e violoncelo debruçadas tendo pequenas convulsões dormitórias (tá, exagero, estavam se mexendo). E quando notei, até o Lobato estava dormindo, com a cabeça no teclado como Alexander DeLarge do Laranja Mecânica em cima do prato de macarrão. O teatro todo dormindo, coloquei o violão no chão.
Pensei nas novas informações por alguns instantes, fechei os olhos pra ganhar a intenção do beijo e da volta, deitei no chão e dormí. Pra não fazer desfeita, antes de desligar totalmente pensei em Não existe São Paulo...e rí da minha bobagem. São Paulo independia de mim e dela e da gente. Quem não independia era eu....Quem não independia era ela.... Independencia? Coragem pra dizer que pertence... Coragem pra pedir que fique.
E o teatro, vendo que não tinha mais pra que, fechou as cortinas, o povo acordou e aplaudiu, e a orquestra dormiu pra sempre.
Enfim, já tinha esquecido o palco as pessoas dormindo e até o meu violão, pra ficar me mexendo na cadeira me divertindo com a sombra. Foi quando ouvi um ronco por detrás de mim e ao me virar, levei um susto ao ver toda a orquestra dormindo. O homem do trombone babando, o cara do bumbo de bocarra aberta, as mulheres de longo e violoncelo debruçadas tendo pequenas convulsões dormitórias (tá, exagero, estavam se mexendo). E quando notei, até o Lobato estava dormindo, com a cabeça no teclado como Alexander DeLarge do Laranja Mecânica em cima do prato de macarrão. O teatro todo dormindo, coloquei o violão no chão.
Pensei nas novas informações por alguns instantes, fechei os olhos pra ganhar a intenção do beijo e da volta, deitei no chão e dormí. Pra não fazer desfeita, antes de desligar totalmente pensei em Não existe São Paulo...e rí da minha bobagem. São Paulo independia de mim e dela e da gente. Quem não independia era eu....Quem não independia era ela.... Independencia? Coragem pra dizer que pertence... Coragem pra pedir que fique.
E o teatro, vendo que não tinha mais pra que, fechou as cortinas, o povo acordou e aplaudiu, e a orquestra dormiu pra sempre.
Sábado, Junho 19, 2004
Queria que tocasse a minha campainha. Que porra é essa de "la la la"? Fez isso só uma vez, e foi tão forte. Juro que pareceu inédito, juro que foi inédito. Gostar de alguém assim.... Fui dar uma volta e ouvi um policial reclamar: fica esperto. Sabe? Aquele Pedro Pimenta. Não posso beber nada se não eu morro, tenho uma convulsão, sei lá. Enfim.
Pós-modernismo é facílimo de fazer não é? Agora eu só consigo pensar na vida quando a vida decide pensar em mim. E agora? A vida tá dormindo, por que ela sempre gostou de acordar meio tarde. Lembra em riviera? Eu já tava com sono de novo quando ela ia tomar café da manhã. E a gente diz bla bla bla, dar voltas de noite nos filmes parece bem mais divertido. Só conseguia pensar que merda seria se me roubassem, sei lá. Me parecia bom pensar em alguém me enfiar um estilete. Tá. Eu me sinto muito mal, e decidi.
Vou escrever na parede.
"És parte ainda do que me faz forte.... pra ser honesto só um pouquinho infeliz..."
Pós-modernismo é facílimo de fazer não é? Agora eu só consigo pensar na vida quando a vida decide pensar em mim. E agora? A vida tá dormindo, por que ela sempre gostou de acordar meio tarde. Lembra em riviera? Eu já tava com sono de novo quando ela ia tomar café da manhã. E a gente diz bla bla bla, dar voltas de noite nos filmes parece bem mais divertido. Só conseguia pensar que merda seria se me roubassem, sei lá. Me parecia bom pensar em alguém me enfiar um estilete. Tá. Eu me sinto muito mal, e decidi.
Vou escrever na parede.
"És parte ainda do que me faz forte.... pra ser honesto só um pouquinho infeliz..."
Sexta-feira, Junho 18, 2004
Que "o sol molesta os miolos", ele diz.
E tem razão.
"Uma esfiha de carne com cheddar, por favor.".
Algum rosto? Muitos. Algum olhar?
"Poxa, Avaré marcou minha infância e minha primeira experiência com o eco...".
O sol gosta de ficar repetindo em meu ouvido "de que te vale tudo isso?".
Algum rosto? Nenhum. Algum olhar?
Apaga tudo que se vê e pra onde fica minha casa? Veja, ela já está na minha frente.
O caos. A limonada se epalha pela mesa.
"Merda!" e me chamam de mal-humorado.
Está certo, na próxima vez grito "Eba!" e o sol muda de discurso na varanda. Mas desta vez não.
Terça-feira, Junho 15, 2004
Segunda-feira, Junho 14, 2004
Domingo, Junho 13, 2004
Segunda-feira, Junho 07, 2004
Minha cabeça explode.
E que exploda.
É, a felicidade está por aí, está em tudo e até nesta música que martela minha cabeça que, meu deus, está a ponto de explodir.
Vou mandar um beijo pra todo mundo e especialmente pra você.
É, você mesmo! Repita comigo "eu sou especial" e todos somos. Veja, por exemplo, na rua, todos te olham, não!?
Bah, pra que tanta modéstia ou você não percebe, mesmo?
Trate de perceber.
Ai, o cabelo já se foi e só assim percebi que não era ele o motivo deste martelo, vou é arrancar minha cabeça ou colocar ela numa máquina de moer carne ou, então, "bater...[ela]...na parede até abrir...".
Hehe, é o que eu digo, a felicidade está em todos os lugares.
E que exploda.
É, a felicidade está por aí, está em tudo e até nesta música que martela minha cabeça que, meu deus, está a ponto de explodir.
Vou mandar um beijo pra todo mundo e especialmente pra você.
É, você mesmo! Repita comigo "eu sou especial" e todos somos. Veja, por exemplo, na rua, todos te olham, não!?
Bah, pra que tanta modéstia ou você não percebe, mesmo?
Trate de perceber.
Ai, o cabelo já se foi e só assim percebi que não era ele o motivo deste martelo, vou é arrancar minha cabeça ou colocar ela numa máquina de moer carne ou, então, "bater...[ela]...na parede até abrir...".
Hehe, é o que eu digo, a felicidade está em todos os lugares.
Assinar:
Postagens (Atom)
